Então é Natal...
E o que você fez?
O temido dia tinha chegado.
As luzes incomodavam minha retina. O brilho concomitante virava minha cabeça ao avesso. O cheiro forte e inebriante, que às vezes era doce, às vezes salgado, invadia minhas narinas com violência até chegar em um estômago embrulhado – não para presente.
Mas nada era pior do que aquele silêncio antes da tempestade de conversas paralelas, inúteis e desnecessárias chegarem. O que você tem feito? Como vão as crianças? E as namoradinhas? Será que chove esse ano? Estou em dúvida entre ir pra Fernando de Noronha ou pra Florianópolis, o que você acha?
Engulo com ansiedade um pedaço de ave morta e sorrio com dentes gordurosos, na esperança da pergunta não ter sido feita para mim. Entre garfadas, me pego olhando o mosaico à minha frente: pessoas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. Os mesmos papos, as mesmas piadas, a mesma rotina social incessante. Pelo menos tem gelatina! Ah não, só tem de abacaxi.
Me recolho a um canto da sala relegado a crianças e senhoras de idade cansadas. Pela janela, observo a vida lá fora, tão barulhenta e olfativa quanto a daqui de dentro. As janelas do prédio piscam suas músicas de Natal e exalam as conversas mais banais em tons estridentes, enquanto crianças rasgam surpresas e alguém, que já bebeu mais do que deveria, canta dingoubéu fora do tom.
Me distraio por alguns minutos, olhando o mundo lá fora. Tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo. Volto pra cozinha. Mas é pavê ou é pra cumê?
Este 2025…
eu estudei, e como! Seguindo o conselho de pessoas autoras que eu admiro, dei uma pausa na criação de livros e foquei em ler, estudar e produzir textos sem a intenção direta de publicá-los. Confesso que senti certa falta de planejar meus livros, como vinha fazendo nesses últimos anos, mas essa pausa foi muito necessária. Estou aprendendo muito – tinha esquecido como gostava!
Fiz alguns exercícios de escrita que me mantiveram na ativa e me incentivaram a sair da zona de conforto. Criei poemas, minicontos, ensaios. Li menos literatura do que gostaria, é verdade, mas aprendi muito com os poucos livros que li, a maioria de autorias contemporâneas. E, não vamos esquecer, publiquei 36 poemas – o livro mais importante que já criei até o momento. Também voltei a fazer mais colagem digital e até mesmo me arrisquei na colagem analógica, que quero repetir o mais rápido possível! Enfim, foi um ano muito criativo para mim.
Na vida pessoal, tive algumas questões físicas e emocionais, mas nada que não tenha dado para controlar ou que o tempo não tenha se encarregado de cuidar. Mas, mais do que isso, nesse ano eu reforcei laços importantes, saí, me diverti e aproveitei como há muito não fazia – e tirei muitas fotos para não esquecer que sim, a vida pode ser boa!
Cumpri todos meus objetivos? Não, bem longe disso. Muita coisa vai ficar pro ano que vem, mas a vida é isso: dar nosso melhor da forma que conseguirmos.
Escrever nessa plataforma, mesmo que não tão frequente quanto eu gostaria, foi muito importante para que eu continuasse criando meus textos e falando a minha verdade para quem quisesse ler – e olha que tem bastante gente querendo! Agradeço demais por me inspirararem e me incentivarem, mesmo que indiretamente, a continuar escrevendo. E, é claro, obrigado por continuarem me acompanhando por aqui.
Nos vemos em 2026? 🍾✨

